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Lançar os dados!




Era uma noite escura! Não se via a lua nem as estrelas. Apesar de ser uma noite de verão, não estava calor algum. Pelo contrário, corria um vento forte lá fora. Estava na cama e ouvia o vento a pressionar a minha janela.
Não conseguía dormir. Tinha a mente cheia de medos e anseios. Mexia-me na cama, como um doente em agonia. Mas as minhas dores não eram do corpo, eram do pensamento. Penso que não eram da alma, algo tão divino não pode trazer dor.
Tinha tido um dia mau. Discussões com quem se punha no meu caminho, indecisões de para onde ir e que fazer. Detestava sentir-me perdido, mas sentia-me sem rumo.
Levantei-me e fui ver o vento a mutilar as árvores. Abri a persiana e vi o meu cão escondido na casota. Estava tão assustado que me fez ter compaixão dele. Era raro ve-lo com medo! Era mais normal ve-lo a ladrar para tudo que mexia, do que ve-lo assim assustado.
Desviei os olhos do animal e fixei-me num ponto no horizonte. Era mais fácil assim pensar. Tinha que resolver algo! Andava num impasse à muito tempo! A incerteza estava a matar-me. Ou queria uma vida austera, com um ideal, um caminho certo para traçar. Ou queria uma vida mais leve, com menos preocupações, cheia de aventura. Porem a aventura é incerta, e eu detesto incertezas.
QUE PARVOÍCE! Custa muito decidir algo para a vida inteira! Não existir segunda hipótese, torna as coisas demasiado sérias. Parece um lançar de dados, do qual depende toda nossa vida. Se a jogada for boa, ficamos bem para sempre. Porem se a jogada for má, perde-se tudo.
Virei o rosto para a escuridão do quarto, peguei no telefone e disse para mim: "Vamos aliviar esta. Lanço os dados amanhã!"
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Alex disse...

E, afinal, para que pegaste no telefone? E o cão, é aquele vais vais trazer para aqui? Estes escritores modernos...