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Mato-te por amor !


Nem as janelas contêm a dor de saber que estou perdido. A vizinha a escorrer água pelos canos e um sabor a ferro na boca,
sangro,
espeto os dentes contra a carne da boca,
macia,
sangue
e mais força até se romper tudo e um rio de sangue fininho insignificante.
Não gosto que saias, detesto esses intervalos de ausência onde outras te cobiçam a pele, os olhos e a beleza que trespassa. Podes achar exagero, até obsessão, mas eu sei que as pessoas olham e tu não precisas de incentivos à promiscuidade.

Vou sair
Onde
Vou sair ... 
Onde, como, quem, porquê ? 
Vou.
Adeus. 


Os transeuntes fixos nas curvas como que comendo,
pedacinho
pedacinho
pedacinho.
Depravação sobre ti e a minha carne exposta, o sabor a ferro na boca e os olhos de todos fixos nas cores que levaste. Até imagino os pupilas alheias numa câmara lenta de desejo básico.
Primárias, desmandadas, oferecidas.
Por favor não olhem que a rua é minha propriedade durante segundos,
toda minha em pequenos espaços itinerantes, microespaços, microestados,
eu governante dum povo de membro só que me foge às ordens, avizinha-se uma revolução.
Ferro e sal, o fio ficou um pouco maior e a fundura mais perto do nervo.
Vou ter de sair e espancar os candeeiros que te vêm enquanto que eu escuro.
Tenho que dominar
o onde,
o como,
o quem,
o porquê.
E se te encontrar em prazer mato-te,
 mato todos e faço um bacanal de sangue.


Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Bruno Barros disse...

Muito fixe Leandro. Continua :-)