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Querendo ardentemente



Querendo ardentemente passar aquela porta, apanhar um táxi e dizer adeus. Passar a ponte numa hora sem trânsito e desaparecer.
São uns metros, uns olhares, uns suspiros e adeus.

Querendo ardentemente perceber o que falhou. Transpor este sentimento de derrota e falha que me entra pelos poros. Passo a ponte numa hora deserta, em que gaivotas sobrevoam esta história com gritos de espanto.
Tinha tudo para dar certo. Não deu.

Querendo ardentemente arranjar algo amnésico. Pouso o saco, lavo o rosto e engulo uma pílula branca.
Um rosto no espelho: olhos, nariz, boca. Tudo vazio.
Ponho as chaves entre os dedos, bato a porta, vejo a ponte, sigo para um bar.
Nisto, um beijo de uns vultos na rua, pássaros, plátanos e a avenida onde me davas beijos antes. Beijos de graça e quentes, enchendo meus olhos, meu nariz, minha boca.
Paro o carro, vejo a ponte, volto ...

Querendo ardentemente amar-te!  
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

joana meneses disse...

amei este post :')
os teus textos são sempre capazes de tocar qualquer pessoa sabias?

p.s.: o exercício físico faz sempre MUITO bem :p

joana meneses disse...

a vida traz sempre coisas para nós ultrapassarmos!