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A esperança



As laranjeiras começaram a dar flor e as pessoas com sorrisos espetados por beijos desejados, mas ocultos.
Pouco se passa em dias quentes. O ar pesa e arrasta-se lentamente para noites povoadas de grilos e estrelas ornadas de procissão ao desejo dos namorados.
Desvelam-se os laços de um sorriso antigo e eterno como os homens. Milagre inscrito nas peles da raça artista que somos nós. Repousam os sonhos na mente e o brilho nos olhos, como lanterna de uma mente cheia de pirilampos ao luar.
Luar dos namorados.
O cheiro da terra quente subindo até ao céu, liturgia celeste de um deus pagão, um deus mão de Deus. Regozijam os anjos em coro e os homens na terra beijam frontes límpidas. Faces amadas e queridas como se bebés fossem no colo da mãe.
Os homens amam em noites quentes enchidas com suspiros refrescantes de paixão.      
Os homens com hálito de desejo saindo por uma boca enorme em busca de outra. Puzzle eterno onde tudo faz sentido.
Os homens cheiram o perfume do tempo feliz, quando pegam numa mão sagrada, talvez vinda de Deus. Quem sabe!
Mexe-se o centeio em ondas suaves e ninguém vê.
   A gente ouve e deve ouvir muito mais.
   A gente cheira e deveria cheirar muito mais.
   A gente fala atrasando o toque das mãos.
   A gente está sempre enganada. 
Mexe-se o centeio em miríades de movimentos eternos presos num segundo. O ar faz-lhe festas, são amantes. Todos se amam em noites quentes, porque todos esperam lá do fundo e isso é a esperança.
A esperança de laranjas boas no Inverno.
A esperança ...
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Teófilo Silva disse...

Uma bela imagem que cria no observador um misto de esperança e nostalgia.