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A imperatriz


A marca dos diamantes na pele esbranquiçada.
   (não pó-de-arroz.menina. não)
Covas na pele e olhos fundos, escuros ...
escuros por fora
escuros ...
Na mão as marcas dos tempos 
   (não rugas. menina. não)
que passaram sobre a ponte do rio.
Pouca água lá em baixo, vigas horizontais
   (abcissas: x; números encadeados num volume sem fim; CURVA)
e um ar seco neste trono. Areia na garganta arranhada, rouca, cravada de sulcos profundos de pólen que passa sempre. 

"Senhora, que fazemos?"
(fim das cabeças. negro nos lábios. dancem, dancem, dancem!)
"Chorem!"

O caixão lá na barca. Creonte rindo,
bichos, correntes de metal, a barca ...
e um bocado de Mogno coberto de cabos redondos de verde, branco e, talvez, CEDRO. 
Bandeirinhas que enfeitam as grades do rio. Caras lavadas, deslavadas, embrutecidas que olham.
Olham ...
 Olham ...
  Olham ...
Quem vai ali? 
Lágrimas escurecidas que caiem no manto preto, enorme, glorioso. Um cabelo esvoaçante perdido e o rosto duro.  
Não tem fim a dor ...

Gloriosa a Imperatriz! 
Governarás para sempre a dor dos dias que passam sobre o rio que governas!
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