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Fechado



Aqueles montes onde todos descansamos foram pilares.
No topo, edifícios enormes de cristal poroso,
talvez nuvens,
certamente correctos.
Olhamos o horizonte a vemos os portões de cobre fundido. Pedras preciosas retiradas ao mar,
diria que são seixos,
encastradas naquele trabalho monumental do fogo.
São as portas da dependência. Se as passarmos veremos átrios de mármore  negro e mais pilares.
Pouca luz, as salas querem-se escuras.

Os montes onde deixamos a alegria são hoje uma recordação dolorosa.
Nunca mais viajei. Não acredito no novo, muito menos no correcto a fazer. As culturas estrangeiras já não me interessam e os seus costumes são-me absolutamente alheios. Vejo os que chegam de outras terras aqui e sinto ódio.
Já não quero aventuras, quero um lugar apagado com uma maçaneta velha. Um canto deste prédio decrépito, porque sabe deus (que não existe) a miséria que me pagam. Sou inteligente, mais que isso, sou brilhante como as ideias de Edison foram. Pouco me valeu.
Descobri que o mundo é dos violentos, sejam eles pacíficos e civilizados, ou simplesmente descaracterizados em personagens ultra-modernas.
Neste lugar que habito sou rei, só isso me interessa.
Sou solitário, fechado e até assustador.
Quero que assim seja.
Desde que foste só sei ser isto ...
tenho que ser isto ...
só me sinto realizado se me vir como "isto".

Passando as salas sem fim,
escuras
vimos corredores, pinturas e mobiliários rebuscados à base de gotas de chuva.
Tudo aqui em cima,
aqui sobre as montanhas que foram pilares e agora sei lá que são,
é feito de um material não físico.
Tudo é nada, entendem ?
desconfio...
É que nada do que falo tem materialidade, ou até tentativa de parecença com algo que o sol submeteu.
Eu falo de profecias sentimentais que ultrapassam a patologia. Falo, como quem diz, eu explico como eram lindos os montes (esses que foram os pilares primeiros) quando senti ser duas entidades num corpo.
No fundo, falo de ter e perder.
Por isso já não montes,
já não corredores ou chuva organizada em peças de delimitação e arrumo.
Só esta sala escuro que fechei e assim ficará.
Resta-me aceitar a perda.
- Eu te aceito !
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Matthew Cordoba disse...

Olá. Sou o Matthew, do G+. Estou seguindo seu blog, não é atoa. Gostei do que li aqui. Você consegue ser sensível o suficiente para passar seus sentimentos ao leitor.

Se você vivesse antigamente na Europa, provavelmente fosse um adepto ao fascismo, não? Hahaha... Brincadeira. É que você citou que de certa forma apoia a violência. Mas... "fechado"? Só o fato de você estar expondo-se sentimentalmente mostra um pouco da abertura. Coisa maluca, não?
Bem, estas conclusões são tiradas corretamente desde que o texto fale realmente de você.

Você é português? É porque vi algumas palavras escritas conforme a norma ortográfica portuguesa de Portugal. Bem, eu sou brasileiro.

Enfim, gostei muito. Pretendo voltar mais vezes. Passar bem.