Não se iluda quem pensa que a vida não tem dor! Tenho passado pelos últimos tempos a experiência da dos corporal. Aquela dor quando a saúde nos falha e não percebemos porque. Passamos a vida a dizer que somos fortes, que podemos decidir por nós, e de um momento para o outro vemo-nos numas urgências hospitalares, com pessoas a gemer, a gritar ou mesmo a morrer, quando infelizmente parece que os médicos não fazem nada. Deixei de acreditar na medicina, posso sim confiar nas suas descobertas, mas somos tão vulneráveis!
Uma lição de quando estamos doentes do corpo é que precisamos muito, muito, muito dos outros. Vemos que sós não somos nada. Se não fosse a minha mãe me alertar dos remédios, ou a apoiar-me enquanto vomito, ou o meu pai que se levanta a qualquer hora para ir ao hospital levar-me pagando de seguida medicamentos que pesam muito já no magro orçamento familiar. Ou o meu irmão que me liga sempre que vou para as urgências, me faz rir sempre que não me apetece, ou a minha irmã que sempre que algo tenho vem de sua casa ver como estou trazendo a minha afilhada, ela mãe de família que tantos problemas tem mesmo em minha casa.
Somos uns fracos que dependemos dos outros. Dos amigos, dos familiares, até dos desconhecidos que num hospital nos falam enquanto esperamos ou de um médico que nuca vi mas que se empenha (melhor ou pior) para descobrir o que raio temos. Dependemos dos outros para a cura das nossas dores.
A seguir das dores do corpo tenho sentido as dores da mente e da alma. Desde o remorso por não ter feito o que devia, a impotência de não se ver capaz de fazer algo. Sentimos ao longo da vida que não somos compreendidos , que não percebemos decisões que os outros tomam, ou parece que o mundo gira ao contrário.
A realidade é que o homem não é só razão, somos também carne, instinto animal, e mesmo que o neguemos isso é uma parte grande de nós. Isto não significa que devemos ceder ao animalesco que há em nós mas sim aceitar e combater para ser melhor.
Agora perante as decisões dos outros, a única coisa que tenho a dizer é que, mesmo que queiramos ser nós a decidir, porque somos chefes do nosso caminho,nós não valemos nada sós, porque sós não há cura!






