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Despedida



Talvez o coração se afunde num buraco sem nome, onde a terra se esconde do mar e o mofo,
essa língua dos meios mortos,
entenda a derrota que todos sofremos.
Fecha-se o músculo dentro da boca e silêncio ...
um caixão aberto num sábado de Inverno com sol e uma criança que se despede.
O comboio arranca !
Fecham-se os olhos com vidros escuros e uma grade de dor amorfa os músculos.
"Estamos tão presos", diz o silêncio.
A revolta olhando do cantinho do parque onde seres alados, que voam entre os miasmas dos espíritos perdidos, exaltam a  sua pobreza honrosa.
"Tenho fome", diz o sol olhando as pessoas de preto que se encavalitam na esperança da lonjura de tudo. Goste-se, ou não, o futuro é um ritual e como todos os rituais é uma mentira. Delimita-se o corpo com apostas ao dizer altinho:
"isto é meu" ...
cada vez mais repetido, em forma de ladainha ou prece que perdeu as rédeas da semântica.
"meu, meu, meu" ...
Lá em casa ficam o pedaços escondidos enquanto o sol aquece, brandamente, as roupas escuras que todos temos.
"Diz adeus" e a língua presa sabe-se lá onde ...
num buraco sem nome que se abriu lá atrás nos molares.
(senão falares não morreu. se na falares esqueces. se não falares cantas uma música que ilude).
os gatos vislumbram ao longe as sombras que fogem do frio que já vem, logo iram dar as boas vindas ao ser que habita o meio tempo.
Agora vislumbram o buraco do pranto e sabem que é desnecessário e falso.

como os percebo ... 
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Salum H. disse...

Oi, dei só uma olhada por cima ainda no Blog,mas já percebi que tem muita coisa boa, achei este texto MUITO BOM, tanto que tomei a liberdade de sequestrar e publicar no meu Blog com os devidos créditos. abraços.