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Tudo



Existe destino no amor?
Olha-me, vê o meu rosto, sente como o mundo lá fora se torna pequeno enquanto deito e te admiro. Santo! louvores de falas e viagens que não tenho, que não possuo e invento redondinhas na língua que aponta uma luz na escuridão que palpo.
Podemos ser contemplação?
Não mexo, arrepio a pele ao movimento.
Estanco.
Conta, confessa mais uma parábola. Onde ficam as casas pequenas mais claras junto ao mar? É tão mais belo o teu espírito solto que a proximidade negra quente dos dias de interregno. Não sei transformar ideia em carne e talvez nunca volte a saber conjugar minha boca acelerada com os sonhos de que me revisto.
(serei bálsamo? oh, teus olhos de abandono e eu banalidades ridículas. queria não falar até ser salvação, a única salvação)
Pronto, deita. Vou tentar agora fixar a mente nesses teus atributos exteriores, no teu cabelo farto e um pouco longo respirando juventude, nos teus olhos claros e rasgados de luz que ofusca a inexistência dos dias da "cama", tua boca adornada de tantos dialectos e sabores. Tu perto encarnando clareza nos lábios e sabedoria nas pausas.
Teus lábios que agora são um beijo fundo, esperado e desejado num preliminar de escuta. É bom beijar-te, sinto um furto palpitante de coisas preciosas reservadas às divindades. Beijarei mármore?
Deita
Fica
Ordena
Se disseres um feitiço eu encontrarei a vontade.
Repete comigo: "Amor" mas com os olhos.
"Amor".
Senti ilusão, som articulado sem olhos.
"Amor".
Vá, encanta-me. Se me amas repete-me em sincopas de temor.
"Amor".
Ri-o. Sou criança não ensinada, dizes palavras sem eco porque o espaço é hoje parede e não sei fingir uma gruta suave de argila. Tu seriedade, eu brincadeira e é estranho sentir mais fogo na calma que no ceio das brasas. Ando perdido das geografias, o celeste toco aos pés, o terrestre imagino em movimentos que não tenho.
Diz o decoro que o destino leva tempo, e sou sedimentos de um passado repleto de desapego apagado pela saudade.
Fico no paladar do gosto, iludindo minhas dúvidas com castas ânsias de proximidade.
Vê amor no meu destino?
(Não sei. Com isto tudo, nada tenho para te dizer.  silêncio impotente, serei bálsamo? "Falamos mais logo?")

Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Tiago Moreira disse...

Excelente texto Leandro.
'Oh love sweet love'
Parabéns*